Distribuição Geográfica
As espécies do subgênero Melikerria têm distribuição predominantemente neotropical, com ocorrência registrada em países da América do Sul, como Brasil, Colômbia, Venezuela e Guianas. Essas abelhas habitam florestas úmidas, como a Amazônia, e áreas de transição entre biomas, incluindo o cerrado e a caatinga.
Caracterização Taxonômica
• Reino: Animalia
• Filo: Arthropoda
• Classe: Insecta
• Ordem: Hymenoptera
• Família: Apidae
• Tribo: Meliponini
• Gênero: Melipona
• Subgênero: Melikerria
O subgênero Melikerria diferencia-se por traços morfológicos específicos, como variações nas asas, na forma das mandíbulas e na estrutura do tórax. Essas características são utilizadas na identificação taxonômica e delimitam sua relação com outros subgêneros de Melipona.
Hábitat
As abelhas Melikerria preferem áreas florestais densas, mas também podem ocupar ambientes secundários com abundância de plantas floríferas. Em regiões onde a floresta foi alterada, elas demonstram resiliência ao explorar recursos florais em paisagens agroflorestais ou mosaicos de vegetação.
Nidificação
• Locais de nidificação: Frequentemente em cavidades de troncos de árvores, tocos ou até mesmo em estruturas artificiais quando disponíveis.
• Escolha do local: A profundidade, umidade e isolamento térmico da cavidade são fatores críticos na seleção do local.
Entrada do Ninho
A entrada do ninho geralmente é construída com cerume, apresentando uma forma tubular ou um pequeno orifício arredondado. Essa entrada pode incluir uma “janela” de resina ou cera para proteger contra predadores e controlar a temperatura interna.
Características do Ninho
• Favos de cria: Construídos horizontalmente e bem organizados.
• Potes de alimento: Dispostos ao redor dos favos de cria, contendo mel e pólen.
• Cerume: Usado extensivamente na construção interna do ninho.
• Dimensão: Os ninhos têm tamanhos variados, dependendo da espécie e do ambiente, mas geralmente acomodam colônias de 1.000 a 4.000 abelhas.
Informações para Manejo
O manejo sustentável de abelhas Melikerria exige sensibilidade às necessidades biológicas da espécie:
1. Transferência para caixas racionais: Usar caixas com volume semelhante às cavidades naturais.
2. Alimentação suplementar: Fundamental em períodos de escassez de recursos florais, utilizando soluções de mel diluído ou açúcar invertido.
3. Monitoramento constante: Inspecionar regularmente para identificar sinais de doenças, pragas ou estresse na colônia.
4. Localização do meliponário: Instalar em áreas com abundância de flora nativa para garantir a continuidade dos recursos alimentares.
Plantas Visitadas
As espécies do subgênero Melikerria são polinizadoras generalistas, visitando uma ampla variedade de plantas. Entre as mais comuns estão:
• Fabaceae: Incluindo espécies como ingás e jatobás.
• Myrtaceae: Goiabeiras, pitangueiras e eucaliptos.
• Malvaceae: Como hibiscos e paineiras.
• Rutaceae: Laranjeiras e limoeiro em áreas cultivadas.
• Orchidaceae: Orquídeas fornecem resinas e outros recursos.
Curiosidades
1. O mel produzido pelas abelhas do subgênero Melikerria é altamente valorizado por seu sabor único e propriedades medicinais.
2. Sua capacidade de nidificar em áreas de borda de floresta as torna importantes para a polinização em paisagens fragmentadas.
3. Essas abelhas têm uma tolerância moderada a perturbações ambientais, sendo candidatas interessantes para manejo em sistemas agroecológicos.
A Melipona (Melikerria) é um exemplo fascinante da diversidade de abelhas sem ferrão, com um papel crucial na ecologia tropical. Além de sua importância ambiental, sua adaptação a diferentes ambientes e capacidade de polinizar culturas agrícolas reforçam seu valor para a conservação e para a produção sustentável. A conservação dessas abelhas e de seus habitats é vital para a saúde dos ecossistemas tropicais e para a segurança alimentar.
