Nome popular: uruçu.
Distribuição
A Melipona (Michmelia) seminigra, popularmente conhecida como “abelha do Guarajá” ou “abelha preta da Amazônia”, é nativa da região amazônica. Sua distribuição abrange os estados brasileiros do Amazonas, Pará, Acre e Rondônia, com registros também em países vizinhos, como Colômbia, Venezuela e Bolívia. A espécie é adaptada às condições quentes e úmidas das florestas tropicais.
Caracterização Taxonômica
Pertencente à tribo Meliponini e à família Apidae, M. seminigra é uma abelha sem ferrão de porte médio, medindo entre 10 e 12 mm. Sua coloração varia do preto ao marrom escuro, com algumas regiões do corpo apresentando pilosidade acinzentada. A espécie é conhecida por sua organização social avançada, composta por uma rainha, operárias e machos, que desempenham funções específicas na colônia.
Hábitat
Esta abelha é encontrada principalmente em florestas tropicais de terra firme, mas também ocupa áreas próximas a rios e igarapés. Ela prefere ambientes ricos em vegetação nativa, onde pode acessar recursos alimentares como néctar e pólen. Em áreas antropizadas, M. seminigra pode se adaptar, desde que haja disponibilidade de plantas florais e locais para nidificação.
Nidificação
Os ninhos de Melipona seminigra são construídos em cavidades naturais, como troncos ocos e cavidades subterrâneas. Em alguns casos, a espécie utiliza fendas em árvores vivas ou ninhos abandonados de outras abelhas. A colônia é composta por centenas a milhares de indivíduos e apresenta uma organização interna eficiente, com divisão clara entre as áreas de cria e armazenamento.
Entrada do Ninho
A entrada do ninho é geralmente pequena e discreta, protegida por um tubo de cerume de coloração escura. Este tubo possui diâmetro suficiente para a passagem das abelhas e é constantemente monitorado por operárias guardiãs, que garantem a segurança da colônia contra predadores e intrusos.
Características do Ninho
O interior do ninho é composto por discos horizontais de células de cria, cercados por potes de mel e pólen. Os potes de alimento são construídos com cerume, uma mistura de cera e resinas vegetais. O própolis, obtido de resinas de árvores, é utilizado para revestir as paredes internas, garantindo proteção contra umidade e microrganismos. A organização interna do ninho reflete a alta eficiência das abelhas na gestão de recursos e espaço.
Informações para Manejo
A Melipona seminigra é altamente valorizada na meliponicultura, tanto pela produção de mel quanto pelo papel na polinização. Para um manejo adequado, recomenda-se:
•Caixas racionais: Fornecer abrigos artificiais, como caixas de madeira, que imitem as condições naturais.
•Localização dos ninhos: Posicionar os ninhos em locais sombreados e protegidos de ventos e chuvas excessivas.
•Monitoramento de saúde: Realizar inspeções regulares para identificar sinais de doenças ou infestação por parasitas, como ácaros ou forídeos.
•Diversidade floral: Manter áreas próximas com plantas nativas e floríferas, garantindo recursos alimentares abundantes.
Plantas Visitadas
M. seminigra é uma polinizadora generalista, visitando uma grande variedade de plantas para coleta de néctar e pólen. Algumas das principais plantas visitadas incluem:
•Fabaceae: Inga edulis (ingazeiro), Dipteryx odorata (cumaru)
•Myrtaceae: Eugenia stipitata (araçá-boi), Psidium guajava (goiabeira)
•Malvaceae: Theobroma cacao (cacau), Hibiscus rosa-sinensis (hibisco)
•Asteraceae: Baccharis dracunculifolia, Vernonia spp.
•Anacardiaceae: Mangifera indica (mangueira), Anacardium occidentale (cajueiro)
Essas interações mostram a importância de M. seminigra na polinização de culturas agrícolas e na manutenção da biodiversidade de florestas tropicais.
Melipona (Michmelia) seminigra é uma espécie fundamental para os ecossistemas amazônicos, contribuindo para a polinização de diversas plantas e a produção de mel de alta qualidade. Sua fácil adaptação ao manejo racional e sua relevância ecológica fazem dela uma das espécies mais promissoras para a meliponicultura sustentável na região.