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Centris (Hemisiella) tarsata: Biologia e Ecologia

 


Nome popular: abelha-de-óleo, mamangava-pardinha.

Distribuição

Centris (Hemisiella) tarsata é uma espécie amplamente distribuída na América do Sul, com registros em países como Brasil, Bolívia, Colômbia, Venezuela e Guianas. No Brasil, ocorre predominantemente em biomas como Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. É encontrada em ambientes naturais e áreas antropizadas, adaptando-se bem a diferentes condições climáticas e geográficas.

Caracterização Taxonômica

Centris tarsata pertence à família Apidae, subfamília Centridini, e ao gênero Centris. Essa abelha apresenta um corpo robusto, com coloração preta e reflexos metálicos azulados em algumas partes. O tórax possui pubescência densa e esbranquiçada, enquanto as asas são translúcidas com um leve reflexo violáceo. As fêmeas são reconhecidas por suas patas traseiras adaptadas para a coleta de óleos florais, com cerdas especializadas. Os machos têm características mandibulares distintas, úteis para identificação.

Hábitat

Essa espécie habita áreas abertas, como campos e savanas, mas também é encontrada em bordas de florestas e áreas urbanizadas com vegetação remanescente. A C. tarsata é bastante versátil e explora ambientes onde há uma boa disponibilidade de flores produtoras de néctar, pólen e óleos florais.

Nidificação

Centris (Hemisiella) tarsata é uma abelha solitária que nidifica principalmente no solo. Prefere solos arenosos ou argilosos, com boa drenagem, geralmente em áreas ensolaradas e protegidas de alagamentos.

Entrada do Ninho

A entrada do ninho é uma pequena abertura circular, frequentemente rodeada por um montículo de terra solta, resultante da escavação. A entrada pode ser camuflada para evitar a detecção por predadores ou parasitas, como as abelhas cleptoparasitas do gênero Mesoplia.

Características do Ninho

Os ninhos consistem em uma galeria principal que se ramifica em várias células de cria. Cada célula é revestida internamente com óleos florais, criando uma barreira protetora contra a umidade e microrganismos. A fêmea armazena uma massa de pólen e néctar em cada célula, sobre a qual deposita um único ovo. Após a postura, a célula é cuidadosamente selada com solo compactado.

Informações para Manejo

Para o manejo de Centris tarsata, especialmente em programas de polinização agrícola, é importante preservar áreas com solo adequado para nidificação e garantir o acesso a flores que forneçam óleos, néctar e pólen. Substratos artificiais, como tubos de bambu ou blocos de madeira com cavidades, podem ser testados para atrair a espécie, embora a nidificação no solo continue sendo a preferência. Além disso, é fundamental reduzir o uso de pesticidas e incentivar práticas agrícolas que promovam a conservação de polinizadores.

Plantas Visitadas

Centris (Hemisiella) tarsata é uma polinizadora especializada, frequentemente associada a plantas que produzem óleos florais. Entre as principais plantas visitadas estão:

MalpighiaceaeByrsonima sericeaMalpighia emarginata

FabaceaeSenna multijugaChamaecrista desvauxii

BignoniaceaeTabebuia roseaJacaranda mimosifolia

SolanaceaeSolanum stramonifoliumSolanum lycocarpum

AsteraceaeVernonia polyanthes

Essas plantas não apenas fornecem recursos alimentares para a abelha, mas também se beneficiam da polinização, essencial para a reprodução e manutenção das populações vegetais.

Centris (Hemisiella) tarsata desempenha um papel vital na polinização de plantas nativas e cultivadas, contribuindo para a biodiversidade e a produtividade agrícola. Sua biologia, comportamento de nidificação e relação com plantas específicas tornam-na uma espécie de grande interesse para a conservação e manejo em paisagens naturais e agrícolas.