Nome popular: arapuá, abelha-de-cachorro, irapuá, xupé-pequeno.
Distribuição
A abelha Trigona spinipes é amplamente distribuída nas regiões tropicais e subtropicais da América do Sul, com ocorrência em países como Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. No Brasil, é encontrada em diversos biomas, incluindo Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga e Pantanal. Sua adaptabilidade permite que colonize tanto áreas naturais quanto urbanas, sendo uma das espécies mais comuns de abelhas sem ferrão.
Caracterização Taxonômica
Pertencente à tribo Meliponini, da família Apidae, Trigona spinipes é uma abelha sem ferrão de tamanho médio, com aproximadamente 5 a 7 mm de comprimento. Apresenta coloração preta com asas levemente translúcidas. Possui mandíbulas fortes e pilosidade reduzida. Seu comportamento agressivo em relação a outras espécies é uma característica marcante, sendo conhecida como “abelha-cachorro” devido à sua persistência em afastar intrusos de suas fontes de alimento e ninhos.
Hábitat
Essa espécie é extremamente versátil, ocupando uma ampla variedade de habitats. Prefere áreas com vegetação diversificada, mas também prospera em ambientes degradados e urbanizados. Trigona spinipes é frequentemente encontrada em jardins, áreas agrícolas, florestas e até em cidades, onde utiliza materiais variados para construir seus ninhos.
Nidificação
Trigona spinipes constrói ninhos polietílicos, utilizando uma mistura de resina vegetal, cerume e barro. Os ninhos podem ser encontrados em locais variados, como ocos de árvores, paredes, telhados, postes e até no solo. A localização depende da disponibilidade de materiais e da proteção contra predadores e intempéries.
Entrada do Ninho
A entrada do ninho geralmente é um tubo cilíndrico de cerume, com abertura que permite a passagem das abelhas. Este tubo pode ser longo ou curto, dependendo das condições ambientais. A entrada é frequentemente vigiada por abelhas operárias, que impedem a entrada de intrusos e garantem a segurança da colônia.
Características do Ninho
O interior do ninho é dividido em diferentes compartimentos, incluindo câmaras de cria, áreas de armazenamento de pólen e mel, e corredores de circulação. As câmaras de cria consistem em células dispostas de forma espiral ou irregular, nas quais as rainhas depositam os ovos. O mel é armazenado em potes feitos de cerume, que também armazenam pólen. A colônia pode abrigar milhares de indivíduos, com uma estrutura social bem definida composta por rainha, operárias e machos.
Informações para Manejo
Embora Trigona spinipes seja importante para a polinização, seu comportamento agressivo e tendência de construir ninhos em locais inconvenientes podem representar um desafio. Para manejo sustentável:
•Localização dos ninhos: Monitorar áreas urbanas para evitar ninhos em estruturas humanas.
•Controle de colônias: Em áreas agrícolas, reduzir a competição com outras espécies de abelhas, controlando o número de colônias.
•Estimular polinização controlada: Criar abrigos específicos em locais estratégicos para maximizar a polinização sem causar transtornos.
•Uso de barreiras naturais: Em jardins e plantações, usar plantas atrativas em locais específicos para direcionar a atividade das abelhas.
Plantas Visitadas
Trigona spinipes é uma abelha generalista, visitando uma ampla gama de plantas para coletar néctar, pólen e resinas. Algumas das principais espécies visitadas incluem:
•Malpighiaceae: Byrsonima intermedia, Malpighia emarginata
•Fabaceae: Mimosa caesalpiniifolia, Copaifera langsdorffii
•Solanaceae: Solanum lycopersicum (tomate), Capsicum annuum (pimenta)
•Asteraceae: Vernonia polyanthes, Baccharis dracunculifolia
•Myrtaceae: Eucalyptus spp., Psidium guajava
Essas plantas fornecem recursos essenciais para a sobrevivência da colônia, enquanto se beneficiam da polinização realizada por Trigona spinipes.
Trigona spinipes é uma espécie fundamental para os ecossistemas tropicais, desempenhando papel crucial na polinização de plantas nativas e cultivadas. Sua adaptabilidade, comportamento social e capacidade de explorar uma ampla gama de recursos tornam-na um modelo interessante para estudos ecológicos e práticas de manejo sustentável.